sábado, 9 de janeiro de 2010

Menina não entra

Quem não se lembra do clube dos rapazes da rua de baixo (no original– East Side)que reuniam num barracão,onde se podia ler “menina não entra”? O Bolinha, o Careca, o Juca e o Zeca (Tubby, Iggy, Willy Wilkins e Eddie Stimson, respectivamente, no original) elaboravam planos para humilharem as meninas do seu grupo; ao mesmo tempo refugiavam-se do grupo dos rapazes do Norte (The West Side Boys), eternos inimigos da parte mais desfavorecida da Cidade.



A maoria dos fãs do Bolinha França (Thomas “Tubby” Tompkins, no original),eram rapazes, sem saberem que a verdadeira heroína deste grupo é, de facto, a Luluzinha Palhares (Lulu Moppet, no original).

Little Lulu é uma criação da já desaparecida Marjorie “Marge” Henderson Buell (1904 – 1993). A Marge foi uma das mulheres pioneiras na profissão de cartonista, profissão ainda hoje, dominada pelos homens. Em 1920 publicou o seu primeiro trabalho e em 1925 o seu primeiro trabalho “syndicated”, “The Boy Friend”. Em 1934 foi contratada pelo Saturday Evening Post e em 1935, naquela publicação, surgiu o primeiro desenho da Lulu. Só passados 9 anos é que o personagem começou a ser publicado diáriamente nos jornais. O sucesso foi enorme e tornou-se um fenómeno de marketing. A Marge detinha os direitos sobre o seu personagem (o que, naquele tempo, era raríssimo) e beneficiou imenso com o sucesso da sua criação. Em 1947 deixou de desenhar ela própria as histórias do personagem tendo, no entanto, mantido o controlo criativo do mesmo, passando o desenho a ser feito por John Stanley.

Em 1971, Marge decidiu reformar-se e vendeu os direitos à Western Publishing. Ainda hoje os seus trabalhos originais são muito disputados nos leilões, atingindo consideráveis valores. A editora Norte Americana Dark Horse, muito recentemente, reeditou cronologicamente em 18 volumes as aventuras da “Little Lulu” (e seu grupo) e mais um volume fora-de-colecção a cores. As aventuras do personagem foram exportadas para diversos países (Japão, Grécia, Arábia, Finlândia, Espanha e Brasil). Em Portugal foi um sucesso durante anos.A editora Abril publicou um total de 227 números (1974 – 1992) com periodicidade mensal.



O tamanho inicial (21x13,5) e manteve-se assim até ao número 67. A partir de número 68 e até ao final foi publicado no formato (19x13,5). Para além dos já mencionados personagens, podem também lembrar-se do Plínio (Wilbur Van Snobbe), da Glorinha (Glory), da Aninhas (Annie), Dona Marocas (Miss Feeny) do Sr. Jorge Palhares (George Moppet) e da D. Marta Palhares (Martha Moppet), do grande detective “O Aranha” (“The Spider”), que não era outro se não o próprio Bolinha e muitos outros inesquecíveis personagens.


As histórias eram aparentemente simples, mas continham nelas todo o quotidiano das crianças vulgares dos anos 30/40 do século XX, adaptando-se aos tempos, mas sem nunca perder o ideal da infância feliz, livre e despreocupada que se viria a perder a partir do final dos anos 70.

2 comentários:

josé neves disse...

que grande historiadora de arte que a menina é, fiquei a saber que a origem da discriminação partiu de uma mulher, provavelmente "butch". Onde fica esse clube para me inscrever? só tenho um problema: a sede em formato de casota de cão é pequena demais para a minha altura civilizada.

Miguel Jorge disse...

O clube já fechou agora chama-se alta não entra!