sábado, 27 de fevereiro de 2010

Lisboa a cair



O perigo é real. Lisboa está em risco de cair e é preciso uma intervenção urgente.”


O alerta partiu da vereadora da Habitação da Câmara Municipal de Lisboa (CML), Helena Roseta, que pede ajuda ao governo. “A câmara e os privados sozinhos não conseguem arranjar todos os edifícios. O governo devia fazer um plano nacional de reabilitação urbana.” Acrescenta mesmo: “Não é possível fazê-lo sem um plano nacional.”


Ao todo são 1117 edifícios (municipais e não municipais) na capital do país que estão em grave risco de segurança. A estes acrescentam-se ainda todos aqueles que estão classificados como em mau estado de conservação, que ultrapassam os 6800.



Ao pedido da vereadora, em forma de repto, o executivo de José Sócrates, questionado pelo i, responde para já com as medidas que fazem parte do Orçamento do Estado para 2010, em que consta o arranque do Programa de Apoio à Reabilitação Urbana, que “tem como meta multiplicar por cinco a média anual de fogos reabilitados com apoio do Estado”.


Também José António Barros, presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP), defendeu ontem a reabilitação urbana como o “investimento mais rapidamente reprodutivo”, e que deve ser uma aposta do executivo.



Coração da cidade
O problema não se levanta apenas nas zonas históricas da cidade de Lisboa , mas também no centro.Segundo o levantamento feito pelos técnicos da CML para o Programa Local de Habitação, a freguesia do Coração de Jesus tem 341 edifícios em mau ou muito mau estado de conservação. Ou seja, 49% dos edifícios da freguesia não estão em condições. “Estamos a falar do coração da cidade, mesmo junto ao Marquês de Pombal. Está tudo a cair. É um sinal de alerta que não podemos ignorar”, acrescenta a vereadora. Nos últimos lugares da tabela, pelo bom estado dos edifícios, estão as freguesias de São Francisco Xavier, com apenas 32 prédios em mau ou muito mau estado, Benfica (com 91 em mais de 6 mil edifícios), São João de Brito (46) e Alvalade (25).



O choque
A idade dos edifícios da cidade de Lisboa está acima da média nacional. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) relativos ao ano de 2001, os edifícios lisboetas têm em média 53,8 anos de idade, quando a média nacional é de 33,9 anos. “Um parque envelhecido que precisa de reparação”, diz a vereadora, que acrescenta que a CML “já pediu um empréstimo para reabilitação urbana, mas não é suficiente. Fiquei muito preocupada com a dimensão dos números.” Só edifícios propriedade da CML em perigo de derrocada são 145, a juntar a mais 35 em mau estado. Na freguesia da Graça concentra-se a maioria dos edifícios camarários em risco de cair – 24 prédios. A Câmara diz estar a responder a esta situação: “Já estamos a fazer realojamentos nos casos mais urgentes, mas isto ultrapassa a capacidade da câmara”, explica Helena Roseta. A vereadora acrescenta que o plano de recuperação dos 145 edifícios em risco está a ser posto em marcha “um a um”.


O presidente da Confederação Portuguesa da Construção e Imobiliário, Reis Campos, junta-se ao coro: a reabilitação deve ser “uma prioridade absoluta”. Na última semana caíram em Lisboa quatro edifícios, o que obrigou ao realojamento de 12 famílias. O último caiu em São Bento, depois de nos últimos dias ter caído um prédio de habitação em Alfama, o que afectou 11 famílias, e de dois prédios devolutos – um na Graça e outro na Mouraria.



in «i» Público, 26 de Fevereiro de 2010

2 comentários:

Dalaiama disse...

Pintar fachadas não resolve o problema de derrocada mas embeleza o património e valoriza a cidade turística :)

miguel disse...

Sim pois é!